quarta-feira, 7 de junho de 2023

Recebemos visitantes de uma das cidades mais bonitas de toda Itália.

 Maria Lopes e Artes. 

Catanzaro, Calábria



Catanzaro, capital da Calábria, é uma das cidades mais bonitas de toda a Itália.





Catanzaro, a cidade entre dois mares


Cidade das Três Colinas 

Ao longo dos séculos a localização estratégica de Catanzaro permitiu se tornar um importante centro de negócios. Tendo hoje uma moderna infraestrutura, a capital da Calábria está assentada sobre três montes, por isso desde a antiguidade é conhecida como a Cidade das Três Colinas:
  • Monte del Vescovato, hoje a Praça da Catedral.
  • Monte San Trifone hoje chamado San Rocco, de onde pode-se ver os subúrbios ao sul da cidade e do Golfo de Squillace. 
  • Monte do Castello, hoje chamado Monte San Giovanni ou Monte do Castelo é o ponto mais alto, onde estão as ruínas do castelo. 





Viaduto Morandi

Uma das maiores construções de Catanzaro são as altas e modernas pontes que cruzam a cidade, principalmente o Viaduto Morandi que é um dos mais altos da Europa.  

O arco de concreto armado, é um verdadeiro monumento de engenharia e arquitetura que tornou-se um símbolo da cidade e de identificação da Calábria no mundo. 


Catedral de Santa Maria Assunta e SS. Pietro e Paolo

Uma das tradições de Catanzaro são as festas religiosas em suas inúmeras igrejas, entre elas a Catedral construída em 1121, que é dedicada a Santa Maria Assunta e SS. Pietro e Paolo. Destruída por terremoto em 1638 e pelos bombardeios de 1943 durante a Segunda Guerra Mundial, a catedral foi restaurada em 1960.





Devido aos vários terremotos, a cidade mantém poucos traços dos tempos antigos. Um terremoto em 1783 causou avarias em muitas igrejas e em outros patrimônios históricos, mas ainda mantém a Basílica dell'Imacollata de 1254, a Igreja do Rosário de 1499, a Igreja de San Giovanni Batista de 1532 e muitas outras.

Localizada no istmo de Catanzaro, que é a mais estreita faixa de terra da Itália, apenas 30 km separam o Mar Jônico do Mar Tirreno. Em dias claros é possível ver os dois mares e as ilhas Eólias, por isso é chamada Cidade de dois Mares.  


 

Museu da Seda

Catanzaro também era conhecida como a Cidade "VVV", referindo-se a três características distintas da cidade:
    "V" de San Vitaliano, que é o padroeiro da cidade.
    "V" de vento, devido aos fortes ventos que sopram do mar Jônico e Silas, 
            dando um clima agradável durante o verão.  
    "V" de veludo, por ter sido um importante centro de tecidos de seda,  
            damascados e brocados desde a época bizantina.  
      Os moradores de Catanzaro testemunham a presença do constante vento na cidade, por isso dizem que: "Encontrar um verdadeiro amigo é tão raro como um dia sem vento em Catanzaro"...




        O pequeno Museu da Seda de Catanzaro e outro em San Floro descrevem as várias fases de processamento da seda e brocados, com máquinas para reproduzir desenhos, pentes, pás, paineis e documentos que comprovam o esplendor da seda de Catanzaro. Exemplos da arte têxtil podem ser vistos na Igreja Monte dei Morti, onde as amostras são armazenadas em veludos chamados "Catanzaro Púrpura".

        O desenvolvimento da arte da seda em Catanzaro é um mistério, visto que na época todo o sul da Itália estava sob o domínio bizantino. Alguns estudiosos acreditam que o próprio significado do nome original da cidade Katantzárion, poderia ser rastreado do grego Katartizen que significa preparar, embalar ou algum processo em um terraço de frente para as montanhas (Kata+Anzar).





        Acredita-se que a arte da seda foi introduzida em Catanzaro em 1072 através de uma casta que vivia nas cidades orientais. De acordo com uma tradição de Catanzaro, os primeiros centros europeus que trabalhavam a seda eram italianos, entre o final do século 9 e início do século 10. No início do século 15 a seda teve grande expansão, pois Catanzaro tinha todos os recursos: a água abundante, o vento para remover o cheiro e o sol para secar a seda.

        Porém no século 17 cairia em decadência. A terrível epidemia que se abateu sobre Catanzaro em 1668 atingiu 16.000 habitantes de Catanzaro, reduzindo significativamente a produção de seda fina. Invadida por muitos ratos vindos em navios do Oriente, as ruas da cidade transformaram-se em um campo de cadáveres das vítimas da peste.

        Em vista disso, as oficinas de seda foram queimadas, cujas chamas altíssimas podiam ser avistadas a quilômetros de distância. A pobreza se alastrou em Catanzaro como um vírus secundário, aliada à perda da memória de tempos áureos e do rasto das técnicas e dos padrões dos tecelões de seda. E assim, ninguém jamais conseguiria reconstituir os seus segredos...

        Vejam mais no link abaixo.

        https://www.viajandoparaacalabria.com/o-que-conhecer-em-catanzaro/

        7 de junho — Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

         Maria Lopes e Artes

        7 de junho — Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

        O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa celebra a liberdade de imprensa e a sua importância para a manutenção da democracia no Brasil.
        Jornalista segura microfone enquanto entrevista um homem à sua frente.
        A liberdade de imprensa é um direito assegurado pela Constituição.

        Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é uma data comemorativa celebrada anualmente em 7 de junho. Procura reforçar a importância da liberdade de imprensa na manutenção da democracia no Brasil, além de ser uma data de luta contra a censura e a violência direcionadas a jornalistas.

        É celebrada em 7 de junho porque, nesse dia, em 1977, cerca de três mil jornalistas assinaram um manifesto exigindo o fim da censura e a liberdade de imprensa no Brasil. A data também serve como reflexão para o problema da violência contra jornalistas no Brasil — um dos mais violentos do mundo nesse quesito.

        Resumo sobre o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

        • É uma data comemorativa celebrada em 7 de junho.

        • É usado para reforçar a importância da liberdade de imprensa.

        • É celebrado em 7 de junho porque, nesse dia, em 1977, cerca de três mil jornalistas assinaram um manifesto contra a censura da ditadura.

        • A liberdade de imprensa é um direito constitucional que garante o acesso da população à informação e dá liberdade para os jornalistas realizarem o seu trabalho.

        • Atualmente, o Brasil é um dos países mais violentos com jornalistas no planeta.

        O que é o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa?

        O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é uma data comemorativa celebrada anualmente no Brasil no dia 7 de junho. Procura reforçar a importância da liberdade de imprensa na construção de uma democracia forte em nosso país. O objetivo desse dia está em mostrar que a cidadania plena de todos os brasileiros se dá apenas mediante ao acesso integral à informação.

        Além disso, a data serve para denunciar os problemas enfrentados pela classe de jornalistas em nosso país, uma vez que o Brasil é considerado um dos países mais violentos contra jornalistas no mundo. Violência física, verbal e intimidação são problemas constantes enfrentados pelos jornalistas aqui.

        Assim, a data serve tanto para reforçar a importância da liberdade de imprensa quanto para denunciar as violências sofridas pelos jornalistas e exigir melhorias nesse aspecto. Acontece no Brasil em um dia diferente do que no exterior. Internacionalmente, há o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio.

        Por que o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é celebrado em 7 de junho?

        Como vimos, o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é celebrado em outra data no cenário internacional. Aqui ele é celebrado em 7 de junho, já em outros países a data é no 3 de maio. Essa diferença tem relação com o contexto recente de autoritarismo da história brasileira.

        Entre 1964 e 1985, o Brasil esteve sob a Ditadura Militar, um regime autoritário conduzido pelos militares e marcado por falta de liberdade, prisões arbitrárias, tortura, desaparecimento de cadáveres e censura. Os jornais e as artes eram rigorosamente controlados pela Divisão de Censura de Diversões Públicas, o órgão responsável pelo controle midiático no Brasil.

        censura no Brasil limitou profundamente o trabalho da imprensa, impedindo que os jornalistas denunciassem o governo e noticiassem o que acontecia. As notícias eram filtradas pela ditadura, e só era publicado o que os censores permitiam. Com isso, não havia liberdade de expressão nem liberdade de imprensa.

        luta contra a censura levou um grupo de cerca de três mil jornalistas a assinarem um manifesto reivindicando liberdade de imprensa e o fim da censura no Brasil. Esse manifesto foi publicado em 7 de junho de 1977, durante o governo de Ernesto Geisel e o período em que o Ato Institucional nº 5 ainda estava em vigor.

        O que é liberdade de imprensa?

        A liberdade de imprensa é um direito basilar de todo regime democrático, é a garantia de que a população tenha acesso à informação e de que a imprensa realize o seu trabalho livremente, sem receio de que será censurada ou de que sofrerá represálias. A liberdade de imprensa garante que os meios de comunicação realizem o seu trabalho.

        Com a liberdade de imprensa, jornalistas podem apurar informações, notícias e denúncias e publicá-las em seus canais, sendo estes jornais impressos, digitais ou audiovisuais. O Estado não pode interferir no trabalho da imprensa e deve proteger o direito dos jornalistas de exercerem o seu trabalho.

        Desafios da imprensa no Brasil

        Constituição Federal garante o direito de liberdade de expressão e de pensamento no Brasil e veda e a censura. Entretanto, isso não significa que o Brasil não enfrente problemas nesse campo. O Brasil é um dos países mais violentos contra jornalistas em todo o planeta.

        Anualmente, a Organização Não Governamental Repórteres Sem Fronteira organiza um ranking que classifica os países mais seguros e mais inseguros para os jornalistas. O ranking contém 180 países, e, em 2023, o Brasil ocupava o 92º lugar, o que foi considerado uma expressiva melhora, já que, em 2022, ele estava em 110º lugar.

        O Brasil ainda tem muito a melhorar na questão da liberdade de imprensa, uma vez que, na última década, cerca de 30 jornalistas foram assassinados no Brasil. Além disso, os casos de violência física e verbal e as intimidações contra jornalistas em exercício aumentaram expressivamente.

        Fontes

        Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senador Federal, 2016.

        LEYSER, Maria Fátima Vaquero Ramalho. Direito à liberdade de imprensa. Disponível em: http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_publicacao_divulgacao/doc_gra_doutrina_civel/civel%2032.pdf.

        Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: https://www.ohchr.org/sites/default/files/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf.

        Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Liberdade de Imprensa x Liberdade de Expressão. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/liberdade-de-imprensa-x-liberdade-de-expressao.

        Martinelli, Gustavo. Os limites e deveres da liberdade de imprensa. Disponível em: https://www.aurum.com.br/blog/liberdade-de-imprensa/.

        Alves, Isabela. Qual é a importância da liberdade de imprensa para a democracia? Disponível em: https://www.politize.com.br/importancia-da-liberdade-de-imprensa-para-a-democracia/.

        Mello, Celso. A importância fundamental da liberdade de imprensa. Disponível em: https://direito.usp.br/noticia/e1b52f3319a8-a-importancia-fundamental-da-liberdade-de-imprensa.

        Repórteres sem fronteiras. Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa 2023: os perigos da indústria de conteúdos falsos. Disponível em: https://rsf.org/pt-br/ranking-mundial-de-liberdade-de-imprensa-2023-os-perigos-da-ind%C3%Bastria-de-conte%C3%Bados-falsos?data_type=general&year=2023.

        PAZ, Walmaro. Análise | Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é uma data de luta contra a censura. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2022/06/07/analise-dia-nacional-da-liberdade-de-imprensa-e-uma-data-de-luta-contra-a-censura

        G1. No Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, uma ação em defesa do jornalismo profissional. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2022/06/07/no-dia-nacional-da-liberdade-de-imprensa-uma-acao-em-defesa-do-jornalismo-profissional.ghtml
        Publicado por Daniel Neves Silva
        https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/7-de-junho-dia-nacional-da-liberdade-de-imprensa.htm

        segunda-feira, 5 de junho de 2023

        APA de Maricá foi conquista do movimento comunitário, organizado e liderado pela FAMMAR.

         Maria Lopes e Artes.

        APA de Maricá foi conquista do movimento comunitário, organizado e liderado pela FAMMAR, Federação das Associações de Moradores de Maricá. 

        Assista e conheça a História da APA de Maricá. 


        "Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá | Maricá RJ"

         



        quinta-feira, 1 de junho de 2023

        "Quando um pingo é letra e reconstrói as páginas da História do Brasil".

        Maria Lopes e Artes 

        Quando um pingo é letra e reconstrói as páginas da  História do Brasil.





         

        "Estamos Reconstruindo a História do Brasil".

         Maria Lopes e Artes.

        "Estamos Reconstruindo a História do Brasil".

        Entenda o marco temporal e como ele afeta os direitos dos povos indígenas









        Entenda o marco temporal e como ele afeta os direitos dos povos indígenas

        Rafael Ciscati, da Brasil de Direitos

        A partir do dia 04 de abril, representantes de mais de 300 povos indígenas de todo o Brasil devem se reunir em Brasília durante o Acampamento Terra Livre (ATL). O encontro anual, na sua 18ª edição, se firmou como uma das mais importantes manifestações em defesa dos povos originários. Entre as questões em pauta neste ano está a discussão do Marco Temporal em Terras indígenas, cujo julgamento pode ser retomado pelo Supremo Tribunal Federal ainda em 2022 — e cujo desfecho pode redefinir o futuro da demarcação de terras indígenas no país.

        Desde agosto do ano passado, os ministros do STF julgam o Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365. Na ação, a Corte discute um pedido de reintegração de posse movido pelo estado de Santa Catarina contra o povo Xokleng e contra a Fundação Nacional do índio (Funai). O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina pede a retomada de uma área que, segundo laudos etnográficos da Funai, foi tradicionalmente ocupada pelos Xokleng e seus ancestrais, e onde hoje vivem, também, indígenas das etnias Guarani e Kaingang.

        O resultado da disputa interessa a indígenas de todas as etnias porque, em 2019, o STF decidiu que o julgamento deve ter “repercussão geral”. Isso significa que a decisão tomada servirá de base para  a resolução de disputas semelhantes que surgirem no futuro ou que já estejam em curso.

        Nesse caso, o embate acontece entre duas interpretações da Constituição Federal. De uma lado, há aqueles que defendem a tese do marco temporal. Grosso modo, ela afirma que os povos indígenas só têm direito àqueles territórios que eles já ocupavam — ou reivindicavam —  no dia 05 de outubro de 1988, data em que foi promulgada a atual Constituição Federal do Brasil.

        Do outro lado, há os defensores da tese do “indigenato”, segundo a qual esses povos podem reivindicar terras tradicionalmente ocupadas por seus ancestrais.

        Iniciado no ano passado, o julgamento do STF foi interrompido pelo ministro Alexandre de Moraes, que pediu mais tempo para analisar a ação.

        Para acompanhar o julgamento, é importante entender 3 pontos principais:

        -A disputa entre o povo Xokleng e o estado de Santa Catarina

        -O que é o “marco temporal”

        -Por que o julgamento do marco temporal importa

        A disputa entre o povo Xokleng e o estado de Santa Catarina



        O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina cobra na justiça a reintegração de posse de uma área da Terra Indígena (TI) Ibirama-La Klãnõ. A região fica a pouco mais de 200km de distância de Florianópolis, e foi reconhecida pela Funai, em 2001, como uma área de ocupação tradicional dos Xokleng.

        Em 2009, a justiça federal de Santa Catarina proferiu uma decisão favorável aos Instituto do Meio Ambiente. Ela seria mantida em 2013 pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4). Na ocasião, o tribunal acolheu a tese de que os Xokleng não teriam direito à terra porque não moravam na área na época em que foi promulgada a Constituição de 1988. Em seu artigo 231, a Carta reconhece os direitos dos povos originários aos seus territórios tradicionais. Para questionar a decisão, a Funai levou o caso ao STF.

        A luta dos Xokleng pelo seu território tradicional, no entanto, é muito anterior ao julgamento no STF. Desde a chegada dos primeiros colonizados ao sul do Brasil, esse povo foi perseguido e exterminado. No século XIX, os governos das províncias de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul contratavam “brugueiros” — assassinos de indígenas — para matá-los e escravizá-los.

        No final de 2020, a Conselho Indigenista Missionário (CIMI) recuperou, em uma matéria, a história de resistência desse povo.
        O que diz a tese do Marco Temporal

        O marco temporal é uma interpretação da legislação defendida, sobretudo, pelo setor ruralista. Segundo esse entendimento, os povos indígenas só têm direito àquelas terras que ocupavam — ou disputavam judicialmente — em 5 de junho de 1988, quando foi promulgada a Constituição

        Ao longo dos anos, tribunais federais aplicaram a tese em mais de uma ocasião, ao decidir pela anulação de demarcações de terras indígenas.

        Na avaliação de juristas afeitos à causa indígena, o marco temporal fere a Constituição: “É um absurdo supor que direitos adquiridos deixem de existir, ainda mais a partir de uma data retroativa. O que aconteceria com os indígenas que não estivessem na posse de suas terras tradicionais em 5 de outubro de 1988? Seriam condenados ao degredo? Não poderiam mais exercer seus direitos identitários?”, escreveram em artigo a advogada Samara Pataxó, assessora jurídica da Articulação dos povos Indígenas do Brasil (Apib), a subprocuradora-geral da República aposentada Deborah Duprat, e a advogada do Instituto Socioambiental Juliana de Paula Batista.

        A tese oposta ao marco temporal é a do “indigenato”. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) explica que o indigenato é uma tradição legislativa que entende que os povos indígenas têm direito à terra como um direito originário, anterior à formação do próprio Estado.
        Por que isso importa

        Se o marco temporal for reconhecido, o direito dos povos indígenas aos seus territórios será restringido. A tese, segundo seus opositores, legitima a violência contra essas populações. Isso importa por que a manutenção e a sobrevivência das culturas indígenas está associada ao direito desses povos à terra.

        Para especialistas e organizações que acompanham a discussão, a tese do marco temporal é injusta porque ignora as muitas perseguições vividas pelos povos indígenas ao longo da história do Brasil — perseguições que, em muitos casos, obrigaram essas populações a deixar seus territórios de origem. Ignora, também, o fato de que, até 1988, os indígenas eram tutelados pelo Estado brasileiro. Isso significa que não tinham autonomia para propor ações à Justiça. A Constituição de 1988 foi a primeira a reconhecê-los como sujeitos de direito.

        O julgamento do Marco Temporal, além disso, coloca o Brasil sob escrutínio internacional. Em texto no portal UOL, o jornalista Jamil Chade lembrou que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pressiona pela derrubada da tese por entender que ela “contradiz as normas internacionais e interamericanas de direitos humanos, em particular a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e a Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas”.

        Se decidir pela derrubada definitiva do marco temporal, o STF pode, teoricamente, por fim aos processos judiciais que questionam o direito dos indígenas à terra. Seria um respiro bem-vindo, capaz de pacificar conflitos.

        Para conhecer mais conteúdos como esse e saber mais sobre direitos dos povos indígenas e direitos humanos no Brasil, acesse brasildedireitos.org.br

        Maria Lopes e Arts recebe visitante de Joanesburgo,. Gracias

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