quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Palavra Líquida 2025 transforma 9 unidades do Sesc RJ em território de arte e celebração

 

Maria Lopes e Artes




Palavra Líquida 2025 transforma 9 unidades do Sesc RJ em território de arte e celebração

De 5 a 14 de setembro, projeto celebra dez anos trazendo a palavra em diálogo com música, dança, circo, literatura, audiovisual e artes visuais, sob o tema “Tempo e Festa”.

De 5 a 14 de setembro, o Palavra Líquida 2025 ocupará 9 unidades do Sesc RJ (Copacabana, Madureira, Tijuca, Ramos, São João de Meriti, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo) celebrando sua primeira década de existência. Nesta edição, o tema “Tempo e Festa” inspira uma programação múltipla, que atravessa linguagens e territórios para afirmar a palavra como gesto de memória, resistência e invenção.

A abertura oficial acontece na próxima sexta-feira, 5 de setembro, no Sesc Copacabana, com a intervenção de dança “Gorila de Saco: cultura popular em diálogo” e as conferências da escritora equatoriana Yuliana Ortiz Ruano e do cantor, poeta e pensador Tiganá Santana, que também apresenta o show “Tiganá Santana conta suas poéticas”, percorrendo repertórios de seus álbuns e trazendo ao palco canções em português, kimbundu, kikongo, espanhol e francês. O mesmo palco recebe no sábado (6) o show “Colmeia”, da poeta e cantora Mel Duarte, com participação especial da MC Martina e de Math Araújo.

Entre os destaques da programação estão o Encontrão dos Slams da Zona Norte, reunindo coletivos da Penha, Alemão e Ramos sob condução da poeta MC Martina; a celebração dos 30 anos da obra de Sonia Rosa, referência da literatura negro-afetiva para crianças e jovens; e o Encontro das Velhas Guardas, que aproxima sambistas históricos da Imperatriz Leopoldinense, Unidos de Manguinhos e Unidos da Grota, com participação especial de Geisa Ketti.

Na música, a edição traz nomes consagrados e da nova geração: Chico Tadeu, rapper de Madureira, com show autoral após a exibição do filme “Do Samba ao Sampler”; MC Marechal convida Medusa Andarilha, em uma performance que cruza rap e poesia; a cantora Déa Trancoso, com o espetáculo “Eu vejo o mundo nos olhos de Exu”; o rapper Rico Dalasam, um dos principais nomes da cena contemporânea; além de projetos que celebram tradições, como Samba na Serrinha, Roda de Samba do Candongueiro e o espetáculo infantil Quintal da Dona Guilhermina.

A dança também marca presença com a potência de Vogue Funk, que aproxima os universos do funk carioca e da cultura ballroom, e espetáculos como Griot, o conto e a mágica, que une circo, teatro e oralidade afro-diaspórica. O teatro é representado pela montagem A Palavra que Resta, história de amor e resistência ambientada no sertão nordestino adaptada do romance homônimo de Stênio Gardel.

Nas artes visuais, duas exposições provocam reflexão: “Obirikiti”, no Sesc São Gonçalo, com obras de artistas e coletivos que pensam o tempo como movimento circular, e “Festa pra quem?”, intervenção no Sesc Duque de Caxias que tematiza a relação entre festas, povos indígenas e resistência.

O Palavra Líquida também abre espaço para oficinas e vivências. Estão na programação: “Escritas Ancestrais”, com Mel Duarte; “Jornada de Exu”, com Déa Trancoso; uma oficina de ritmos a partir do espetáculo 7 Caminos; a vivência com o Cacique Darci Tupã, da etnia Guarani Mbyá; e atividades formativas como Cordel, Embolada, Repente e Rap, com Clécio Rimas.

O audiovisual ganha protagonismo com exibições seguidas de debates, como “Do Samba ao Sampler, entre duas culturas”, “As Pastoras – Vozes Femininas do Samba”, “Diaspóricas 2” e “Diga meu nome”. Performances expandidas também integram a programação, como a cine-performance Transportar vagalumens, que mistura vídeo, dança, escultura e ocupação urbana.

O tema que consolida os dez anos do Palavra Líquida, “Tempo e Festa”, evoca sentidos que ultrapassam o cronos ocidental e apontam para outras cosmovisões. Na cosmovisão Angola-Congo, Tempo é uma divindade (Kitembo/Dembwa), distinta do cronos ocidental. Festa, no idioma quimbundo, é Kizomba: encontro, confraternização, festa do povo. Ao reunir esses sentidos, o projeto celebra sua primeira década reafirmando a palavra como força de encontro, criação e partilha, território onde memória e futuro se entrelaçam em permanente movimento

https://www.sescrio.org.br/noticias/cultura/palavra-liquida-2025-transforma-9-unidades-do-sesc-rj-em-territorio-de-arte-e-celebracao/.

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